04/04/2019

Uma revolução tecnológica nos ares 2

Os drones auxiliam o trânsito, a segurança e a preservação ambiental e se tornam estratégicos em levantamentos e ações de manutenção 

Os drones são poderosos aliados da indústria na hora de fazer manutenção ou monitoramento de segurança de vias e estruturas. Do inglês antigo “drane”, que significa zangão, essas pequenas máquinas possuem grande precisão de voo e câmeras escolhidas para finalidades específicas: produzir imagens em tempo real, fazer filmagens de mapeamento e inspeção e até verificar o comportamento geotécnico com mapas de calor. O termo técnico internacional para se referir aos drones de uso não recreativo é RPA (Remotely Piloted Aircraft System).
De origem militar, há pouco mais de uma década os drones vêm sendo utilizados para monitoramento de segurança de grandes eventos e rodovias, inspeção de estruturas, identificação de falhas, reconhecimento de veículos em alta velocidade, auxílio visual de socorro em acidentes e outras aplicações civis. Seu uso é cada vez mais recorrente em situações de emergência, gerando informações para reduzir danos de desastres ambientais e ajudar a encontrar melhores formas de intervenção. Foi o que aconteceu em 2011 em Fukushima, no Japão, quando drones foram utilizados na avaliação dos danos estruturais da usina nuclear que se rompeu após o terremoto que devastou a cidade.

Operação
Devido ao baixo custo de uso – cerca de R$ 1 mil a diária da locação – faz com que os drones rapidamente ganhem o espaço antes exclusivo de helicópteros e outras aeronaves tripuladas de empresas de aerolevantamentos. 
Quem contrata o serviço é co responsável pela operação, conforme prevê a legislação. Empresas de mineração, agronegócio, topografia e geoprocessamento são as que mais contratam. A regulamentação não permite sobrevoos de equipamentos de infraestrutura que podem sofrer danos de operação, como redes elétricas, zonas de aproximação e decolagem de aeródromos, usinas, entre outros.
A Anac (Associação Nacional de Aviação Civil) define normas e responde pela categorização dos equipamentos, que são divididos em três classes em função do peso operacional e dimensões.  As normas para uso comercial de drones foram aprovadas em 2 de abril de 2017 por meio da regulamentação RBAC-E94. Os aparelhos devem ser cadastrados no sistema do Sisant (Sistema de Aeronaves Não Tripuladas). Pilotar drone sem licença é infração grave prevista no artigo 33 no Código Penal (dirigir aeronave sem estar devidamente habilitado).
“Estimamos que existam mais de 100 mil aparelhos no Brasil, mas apenas 3 mil constam no cadastro de atividade comercial”, diz Flávio Fachel, presidente da ABM (Associação Brasileira de Multirrotores). Segundo Fachel, há uma grande discrepância entre o número de veículos cadastrados e aqueles com licença de operar. “Não conhecemos de fato os números, porque qualquer pessoa pode trazer um aparelho na mala de viagem.” Não há restrição para compra do aparelho.
A maioria dos drones que chega ao Brasil é montada por aeromodelistas, que adquirem os componentes de vários fornecedores. O mercado de drones comerciais é liderado por empresas chinesas, como a DJI. 
Os drones podem ser obtidos com sistemas de código aberto, ou seja, podem ser programados para executar tarefas específicas. Com o uso de programas como o Drone2Map, por exemplo, é possível captar imagens e transformá-las em mapas 2D ou 3D. A câmera acoplada ao drone é escolhida em função das atividades a que será destinado. Podem ser usadas câmeras de cinema ou até capazes de captar calor para mapeamentos de solo.

O uso de drones nas cidades
Trânsito
No Distrito Federal, os drones são usados desde o ano passado para autuar motoristas falando ao celular enquanto dirigem. O número infração desta natureza cresceu 22% em relação ao ano anterior. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil do Distrito Federal também utilizam mapas feitos a partir de levantamentos aéreos em suas ações de planejamento.

Segurança e resgate
No Rio de Janeiro, o Centro de Operações da prefeitura criou um núcleo exclusivo para testar o uso de drones em aplicações de monitoramento, principalmente no trânsito e Defesa Civil. As polícias civil e militar utilizam o aparelho há pelo menos dois anos, e o Corpo de Bombeiros usa os drones como apoio às ações de resgate no mar. O aparelho pesa cerca de 2 kg, tem autonomia para voar 25 minutos e pode lançar equipamentos de socorro, como boias.
Em São Paulo, drones acompanharam as ações na Cracolândia e também a folia de rua durante no Carnaval, monitorando o comportamento e fazendo contagem de foliões. A Guarda Civil Metropolitana também tem usado o equipamento para vigilância.

 

Uso e ocupação do solo
A prefeitura de Curitiba está entre as que passaram a usar drones em vez de imagens de satélite para fazer o cadastramento de imóveis urbanos para cobrança de IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano). A tecnologia permite comparar o tamanho de áreas construídas com as áreas declaradas, além de verificar a ocupação irregular de áreas sob proteção ambiental ou consideradas de risco.

Saúde 
Santos (SP), Limeira (SP) e Chapecó (SC) estão entre as cidades que utilizam drones para mapear locais de proliferação do mosquito transmissor da dengue. Os mapas criados a partir dos voos dos aparelhos auxiliam as equipes de fiscalização e combate à doença.

Levantamento topográfico 
A prefeitura de Mariana, em Minas Gerais, onde ocorreu o desastre ambiental do rompimento da barragem do Fundão, em 2015, utiliza drones para mapear áreas de mineração, fazer levantamentos altimétricos de construções e de quantificação de volume para remoção e movimentação da terra. Os equipamentos também ajudam a avaliar o comportamento da fundação de edifícios, estruturas de barragens, pontes, túneis e torres de transmissão. Softwares específicos analisam as informações colhidas em campo.