11/01/2019

Infraestrutura está na pauta do Summit dos Brics

Até 2021, a instituição pretende investir US$ 32 bilhões em energia, transporte e outras áreas estruturais

Em setembro deste ano, ocorrerá a cúpula dos Brics, grupo formado pelas economias emergentes de Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul. Desde a primeira vez que estas nações se reuniram oficialmente, em 2006, já foram realizados nove encontros que alimentaram uma agenda de atuação consistente focada em duas frentes principais. 
De um lado, o Brics buscou -- e conseguiu -- consolidar-se como uma importante força da economia global. De acordo com dados de 2016 do FMI, a taxa de crescimento econômico do Brics foi de 5%, ou seja, 0,9 ponto percentual superior à dos demais países em desenvolvimento em e 3,3 pontos percentuais superior à dos países desenvolvidos. Os países do grupo responderam por mais de 30% da economia mundial em tamanho, e sua contribuição para o crescimento global chegou perto de 60%, superando em muito a das economias do G7, que reúne as sete maiores potências mundiais.
De outro lado, o grupo dedicou-se a melhorar um ponto crucial para seu desenvolvimento, tanto conjunto quanto individual: a infraestrutura. A pauta passou a incluir temas como energia renovável, mobilidade urbana, rodovias e ferrovias, e um parceiro estratégico despontou para financiar as propostas discutidas: o New Development Bank (NDB).
Conhecido como “o banco dos Brics”, ele foi criado em 2014 com sede em Xangai, na China. O NDB é focado no financiamento de infraestrutura e desenvolvimento sustentável de seus cinco países sócios -- cada um deles detém 20% do capital. Para o período de 2017 a 2021, o banco pré-aprovou empréstimos de US$ 32 bilhões para custear 50 projetos. O montante pode chegar a US$ 44,5 bilhões para contemplar um total de 75 projetos. De acordo com o diretor-geral de estratégia e parcerias do NDB, Sergio Suchodolski, a instituição estuda atuar além das fronteiras dos países membros.
Até o momento, cinco áreas foram eleitas como prioritárias: geração de energia por fontes renováveis, infraestrutura de transportes (com foco em projetos que aumentem a eficiência energética e reduzam as emissões), saneamento e irrigação, desenvolvimento urbano sustentável e integração econômica. 

Brasil
As primeiras operações de empréstimos do NDB foram aprovadas em 2016, totalizando US$ 911 milhões para financiamento de projetos de energias renováveis nos cinco países fundadores. Para o Brasil, foram emprestados US$ 300 milhões ao BNDES, que repassará os recursos para financiar projetos de energia eólica. 
Além desta carteira, o NDB negocia ações com dois governos estaduais e com a capital paulista. Em julho, o então prefeito de São Paulo, João Doria, se reuniu com o presidente da instituição, o indiano K.V. Kamath, para apresentar propostas de concessão. Áreas como saneamento, transportes, energia e gestão de recursos hídricos têm recebido especial atenção da instituição.
O banco anunciou que planeja instalar um escritório em São Paulo ainda neste ano. Em janeiro, firmou a primeira parceria com um banco local, o Santander Brasil. Pelo acordo, caberá ao Santander prospectar as ações e apresentá-las ao NDB para que ele avalie sua entrada na operação. Entre as possibilidades, estão concessão de linhas de crédito para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável e serviços como estruturação de emissão de bônus e operações de câmbio.
Dada a escala de investimento necessária no Brasil e demais países membros, é essencial criar as condições adequadas para esses investimentos. De 2015 a 2030, a demanda global por novas infraestruturas pode chegar a mais de US$ 90 trilhões, de uma estimativa total de US$ 50 trilhões em 2015. Somente na Índia, esse montante pode alcançar US$ 646 bilhões nos próximos cinco anos. Neste contexto, a China é a mais bem posicionada, tanto pelo volume investido quanto pela qualidade da infraestrutura instalada (veja quadro). Encontrar maneiras sustentáveis de garantir a continuidade do desenvolvimento do Brics é o principal desafio do NDB e dos países membros.